sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PRIMEIRA EDIÇÃO DE 11-8-2017 DO 'DA MÍDIA SEM MORDAÇA'

NA COLUNA DO CLÁUDIO HUMBERTO
SEXTA-FEIRA, 11 DE AGOSTO DE 2017
Após 8 anos, o Ministério Público Federal denunciou 72 ex-deputados que gastaram, em média, R$116 mil em passagens aéreas, totalizando custos de mais de R$8 milhões. Os valores até são interessantes, mas irrisórios se comparados aos gastos anuais de mais de R$ 47,5 milhões dos deputados federais com passagens. Se incluir as diárias, que são associadas às passagens, somente em 2017 foram R$ 107,1 milhões.
Em 2017, até agora, o recordista em gastos com passagens aéreas é Vander Loubert (PT-MS): suas 364 viagens custaram R$ 309 mil.
No caso ocorrido há 8 anos, o MPF acusa o ex-deputado Henrique Lima de gastar R$ 245 mil na compra de 434 passagens.
Ilderlei Cordeiro, com 388 passagens a R$248 mil, e Nilson Mourão, com 355 bilhetes a R$229 mil, fecham o “top 3” da denúncia do MPF.
A ONG Política Supervisionada denunciou 178 parlamentares e 42 fornecedores suspeitos de irregularidades com passagens desde 2014.
A ditadura de Nicolás Maduro, herdeiro político de Hugo Chávez na Venezuela, que para o PT é o “farol do socialismo”, empobreceu aquele país a tal ponto que o comércio com o Brasil despencou de mais de US$6 bilhões para quase US$1,3 bilhão por ano, segundo revelou o ministro Aloysio Nunes (Relações Exteriores). Os dados são de 2016. A expectativa é que ao final de 2017 o resultado seja ainda mais trágico.
A Venezuela sofre a chamada “tempestade perfeita”: grave crise política, grave crise econômica e grave crise humanitária.
No terceiro trimestre de 2016 o Brasil exportou para a Venezuela cerca de US$980 milhões; representa queda de 60% em relação a 2015.
Sem divisas e sem mercado, economia em frangalhos, as importações venezuelanas caíram quase 90% no primeiro semestre de 2017.
Enquanto no Brasil políticos salivam com o “fundão” de R$3,6 bilhões para custear suas campanhas, em Portugal já se discute o fim do financiamento público. E olhe que as eleições autárquicas (municipais) de lá, em 1º de outubro, custarão R$14 milhões em todo o país.
O prefeito de São Bernardo (SP), Orlando Morando, definiu assim a herança que recebeu da gestão petista: “Tem que abrir cada armário com muito cuidado, pode haver esqueleto. E, atrás, uma mala”.
A Operação Correlatos, deflagrada em Alagoas pela Polícia Federal, esta semana, decorre da Operação Sucupira, inspirada em reportagens em que o site Diário do Poder denunciou propina de R$108 mil para professores da UAL favorecerem assessores do governo estadual.
A ignorante que chefia a “diplomacia” venezuelana elogiou o governo Temer: o Brasil “é vergonha mundial”, disse, por apoiar a suspensão da seu país do Mercosul. Pega bem ser mal falado pela ditadura Maduro.
Audiência pública na Câmara discutirá, quarta (16), a venda da Petrobras Argentina à Pampa Energia a preço (muito) camarada, no dia do impeachment de Dilma, sob gestão Aldemir Bendine, que foi preso.
Enquanto as família se trancam e tentam se proteger com grades, os presos no Brasil têm “direito” a 30 dias por ano fora da cadeia, desde que tenham “bom comportamento” – como se isso não fosse obrigação de todos. A folga é distribuída durante os vários “saidões”.
O novo prefeito de Miguel Leão (PI), Robertinho (PR) venceu a eleição suplementar no domingo (6) e comemorou o “enterro do mito” Lula, que foi o principal cabo eleitoral do candidato Jailson, do PT, o derrotado.

NO DIÁRIO DO PODER
DESNECESSÁRIO
FACHIN NEGA PEDIDO DA PGR E NÃO INCLUI TEMER NO 'QUADRILHÃO DO PMDB'
MINISTRO RELATOR DA LAVA JATO REJEITA A SOLICITAÇÃO DA PGR
Publicado: quinta-feira, 10 de agosto de 2017 às 19:33 - Atualizado às 19:45
Redação
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou, por considerar "desnecessária", a inclusão do presidente Michel Temer e dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), como formalmente investigados no inquérito que apura uma suposta organização criminosa formada por membros do PMDB na Câmara dos Deputados no âmbito da Operação Lava Jato. O pedido foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Para Fachin, não faz diferença incluir ou não Temer no ''quadrilhão'', já que o procurador-geral, Rodrigo Janot, poderá analisar em conjunto os fatos desta investigação e os daquela outra em que Temer já é investigado com base nas delações da JBS - junto com Rodrigo Rocha Loures - por supostos crimes de participação em organização criminosa e obstrução a investigações.
Neste sentido, o ministro, deferindo uma parte do pedido de Janot, determinou que a Polícia Federal conclua, em um prazo de 15 dias, a investigação em andamento no inquérito do ''quadrilhão'', para que a PGR possa analisar as duas investigações paralelamente e decidir se apresenta ou não denúncia com base nos fatos apurados.
A reportagem procurou as assessorias de imprensa do Planalto e do ministro Eliseu Padilha e ainda não obteve manifestação. A assessoria de Moreira Franco diz que o ministro não vai comentar por enquanto.
Pedido
No pedido de Janot, com base em relatório da Polícia Federal, o procurador-geral afirmava que a organização criminosa investigada a partir da delação da JBS é apenas um "desdobramento" da que já era investigada no inquérito 4.327, que engloba 15 parlamentares, ex-parlamentares e assessores do PMDB. Janot dizia que "não se trata de uma nova investigação contra o presidente da República, mas de uma readequação daquela já autorizada no que concerne ao crime de organização criminosa".
O inquérito do "quadrilhão do PMDB" possui atualmente 15 investigados, entre eles o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ex-ministro Henrique Eduardo Alves, o doleiro Lúcio Funaro, o líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), o deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), a ex-prefeita Solange Almeida e o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, um dos delatores da Operação Lava Jato.
Ele foi instaurado a partir do desmembramento do "inquérito-mãe" da Lava Jato, por determinação do ministro Teori Zavascki, que atendeu a pedido do procurador-geral da República e dividiu as investigações por partidos políticos.
Suspeição
Como primeira providência diante de um pedido da defesa de Michel Temer, Fachin concedeu prazo de cinco dias para que Rodrigo Janot se manifeste sobre o pedido de suspeição apresentado contra ele pelo presidente Michel Temer. Na última terça-feira, 8, Temer solicitou que Janot seja impedido de atuar no caso JBS por falta de imparcialidade.
Por meio de seu advogado, Antônio Claudio Mariz de Oliveira, Temer alegou que "já se tornou público e notório que a atuação do procurador-geral da República, em casos envolvendo o presidente da República, vem extrapolando em muito os seus limites constitucionais e legais inerentes ao cargo que ocupa".
"Não estamos, evidentemente, diante de mera atuação institucional", disse Mariz, em uma das 23 páginas endereçadas a Fachin. À Corte, a defesa do peemedebista afirmou ainda que Janot tem "uma obsessiva conduta persecutória".
A primeira acusação formal do procurador-geral contra o presidente - no caso JBS, por corrupção passiva - foi recusada pela Câmara, no dia 2 deste mês, por 263 votos a 227. A denúncia de Janot tinha como base a delação dos acionistas e executivos do Grupo J&F, que controla a JBS.(AE)

QUEBRA DE DECORO
CONSELHO DE ÉTICA ACEITA DENÚNCIA CONTRA LINDBERGH FARIAS
SENADOR É ACUSADO DE QUEBRA DE DECORO PARLAMENTAR DURANTE REUNIÃO NO DIA 8 DESTE MÊS
Publicado: quinta-feira, 10 de agosto de 2017 às 17:29 - Atualizado às 17:29
Redação
O presidente do Conselho de Ética, senador João Alberto Souza (PMDB-MA), aceitou a denúncia contra o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), de quebra de decoro parlamentar durante reunião. O sorteio do relator será realizado na próxima reunião do colegiado, ainda sem data marcada.
O pedido para a abertura do processo é do senador José Medeiros (PSD-MT). Segundo ele, Lindbergh “impediu a continuidade regular” de uma reunião do Conselho de Ética no dia 8 deste mês, quando os parlamentares analisavam uma representação contra as seis senadores que, em julho, ocuparam a Mesa do Senado como uma tentativa de impedir a votação da reforma trabalhista. Medeiros afirmou ainda que Lindbergh teria agredido o presidente do Conselho de Ética e outros senadores presentes na reunião.
Na época, Medeiros chegou a publicar vídeo em uma rede social onde afirmou que “as instituições não podem ficar à mercê de arroubos totalitários” e pediu que a conduta do senador fosse julgada pelo Conselho de Ética. Para João Alberto Souza, “há indícios de quebra de decoro", por isso o Conselho deve analisar o caso.

OBRA DA RIO 2016
EX-PREFEITO DO RIO VIRA RÉU POR IRREGULARIDADES NA OBRA DO CAMPO DE GOLFE OLÍMPICO
EDUARDO PAES SERÁ INVESTIGADO NA AÇÃO CIVIL PÚBLICA DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Publicado: quinta-feira, 10 de agosto de 2017 às 16:42 - Atualizado às 16:46
Redação
O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) será investigado na ação civil pública que o acusa de improbidade administrativa, por suposta irregularidades na construção do Campo de Golfe Olímpico, na Barra da Tijuca. Essa ação foi proposta pelo Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA).
A Justiça do Estado do Rio de Janeiro também tornou ré neste processo, a construtora Fiori Empreendimentos Imobiliários Ltda. Depois de ouvir as alegações das partes, a 8ª Vara de Fazenda Pública da Capital acolheu a petição do Ministério Público do Estado (MPE).
De acordo com o MPE, a Fiori não pagou R$ 1,8 milhão em impostos referentes a licenças ambientais. Em uma área equivalente a oito campos de futebol, houve a remoção da ‘vegetação exótica’ em uma área de 61.000 metros quadrados.
Ainda segundo a acusação, no dia 14 de março de 2013, a construtora solicitou a Paes que a prefeitura pagasse o tributo com alegação que “não teria sido contemplado nos custos do contrato o pagamento da citada taxa e que tal cobrança iria criar ônus adicional superior aos benefícios que lhes foram concedidos”.
O Ministério Público quer a devolução deste valor, que corrigido, pode chegar a R$ 2,3 milhões.

NO BLOG J.R. GUZZO FATOS
Trapaça Enxuta
A “reforma política” é mais um grande momento na história nacional da vigarice
Por José Roberto Guzzo na Veja.com
Quinta-feira, 10 ago 2017, 15h18 - Publicado em 10 ago 2017, 15h01
Sempre que aparece no noticiário a informação de que os políticos deste País estão fazendo alguma coisa “enxuta”, você já pode contar: estão preparando mais um golpe do vigário contra os seus interesses, e particularmente contra o seu bolso. A palavra “enxuta”, no dialeto do governo e de todos os partidos, sem exceção, quer dizer que a medida a ser tomada vai se resumir a meia dúzia de coisinhas que não resolvem absolutamente nada daquilo que teria realmente de ser resolvido; em compensação, essas mesmas coisinhas sempre trazem benefícios materiais, diretos e imediatos para suas excelências. Esse modus operandi, como se diz nas delegacias de polícia, tem uma dupla vantagem. De um lado, fornece aos senhores parlamentares da extrema esquerda, da extrema direita e do extremo centro uma desculpa prévia por não aprovarem as providências que tinham a obrigação de aprovar – afinal, trata-se de uma coisa “enxuta”, resumida, e portanto não há espaço para incluir ali as decisões importantes, que precisam ser estudadas com calma e devem ser tomadas com prudência, no futuro. De outro lado, permite que eles enfiem no projeto, sem chamar muita atenção, as mudanças que realmente estão querendo para já – as mais urgentes e mais rentáveis. Como se trata de uma operação “enxuta”, da qual nem vale a pena falar muito, fica mais fácil esconder os seus truques lá dentro: se tivessem de socar, de uma vez só, tudo o que ambicionam, estariam correndo o risco de uma overdose.
A “reforma política” prestes a ser apreciada pelo Congresso é mais uma bela obra na arte de roubar no jogo com a desculpa de “fazer o possível agora, e o ideal mais tarde”. Na realidade, o que se tem é safadeza já, e o correto nunca. Essa reforma é o que há, em matéria de mudança “enxuta”. Não vai mexer (fica para “depois”, a partir de 2020, 2030, etc.) em nenhuma das aberrações mais infames da atual legislação eleitoral – fim do voto obrigatório, fim do horário político obrigatório no rádio e tevê, fim dos partidos de aluguel, fim dos vices e por aí afora. “Não é o momento” para mudar nada disso, dizem os nossos representantes. Considerou-se um exagêro, por exemplo, exigir que um partido tenha pelo menos 3% dos votos nas eleições para continuar existindo – ou melhor, para continuar metendo no bolso o dinheiro que o erário distribui através do “fundo partidário”. Basta que consigam 1,5%. É bom para os pequenos, claro, e para os grandes, que querem garantir a existência no Congresso de um estoque de votos sempre prontos para a compra e venda, na hora de aprovar ou rejeitar alguma coisa no plenário.
Sobra o que, então, na “reforma enxuta”? Exatamente aquilo que se podia esperar. Inventaram um negócio chamado “distritão”, que 99% da população não sabe o que é, para evitar o perigo do voto distrital, adotado em todas as democracias que funcionam – a única mudança realmente capaz de melhorar o sistema eleitoral criminoso que vigora no Brasil. Mais que tudo, naturalmente, foram direto para cima do Tesouro Nacional: propõem a criação de mais um fundo para o “financiamento público” das campanhas eleitorais, que será sustentado com os impostos pagos pelos eleitores. Estão querendo dinheiro grosso: de 3,5 a 4 bilhões de reais já em 2018, ou até cinco vezes mais os 800 milhões por ano do atual “fundo partidário”. O pai da proposta é um deputado do PT – mas os partidos adversários são cúmplices integrais desse roubo. Para completar o serviço, Sua Excelência pretende chamar essa trapaça de “fundo de financiamento à democracia”. Como se diz, é juntar o insulto à injúria.

NA COLUNA DO AUGUSTO NUNES
Ciro Gomes é um Lula menos cruel com o plural
Rejeitado por 55% do eleitorado, o candidato do PDT descobriu que o dono do PT será derrotado em 2018 por ser rejeitado por mais de 50% do eleitorado
Por Augusto Nunes
Quinta-feira, 10 ago 2017, 18h22 - Publicado em 10 ago 2017, 18h05
Nesta quarta-feira, depois da entrevista ao Pânico, da Jovem Pan, Ciro Gomes merecia ser convidado a juntar-se imediatamente ao elenco de humoristas do programa. Ele se acha melhor que qualquer partido brasileiro, e diz isso com a autoridade de quem já passou por sete: PDS, PMDB, PSDB, PPS, PSB, PROS e PDT, onde continuava até o momento da gravação deste comentário.
Também se acha muito melhor que qualquer outro candidato à Presidência: depois de insultar todos os possíveis concorrentes, sucumbiu a um surto de lucidez e explicou por que Lula não tem chance alguma de triunfar na sucessão presidencial de 2018: mais de 50% dos brasileiros querem vê-lo pelas costas. Pelo mesmíssimo motivo, o ex-governador do Ceará deveria cair fora da disputa antes de consumado o terceiro naufrágio.
Segundo uma pesquisa recente do Instituto IPSOS, 55% dos eleitores não votariam nele de jeito nenhum. A altíssima taxa de rejeição confirma: Ciro Gomes é um Lula que trata o plural com menos crueldade.

NO BLOG DO JOSIAS
Gestão Temer opera em ritmo de trem fantasma
Por Josias de Souza
Sexta-feira, 11/08/2017 04:29
''A mensagem importante é que essa recessão já terminou'', alardeou o ministro Henrique Meirelles em fevereiro. Michel Temer repete desde então, com a regularidade de um mantra, que seu governo “colocou o País nos trilhos”. Muitos brasileiros, ao ouvir o presidente falando, acalentam o sonho de viver no Brasil que Sua Excelência descreve, seja ele onde for. Entretanto, o que se vê sobre os trilhos é um governo com aparência de trem fantasma.
Ao assumir, Temer prometeu pacificar o País e tirar as contas do vermelho. Hoje, com 5% de aprovação, arrisca-se a tomar vaia sempre que leva os sapatos para fora dos palácios brasilienses. E anuncia para a próxima semana a reaparição de uma velha alma penada sobre os trilhos: o descumprimento de uma meta fiscal. O rombo de R$ 139 bilhões que Meirelles dizia ser ''exequível'' para 2017 vai virar uma cratera de R$ 159 bilhões, que se repetirá em 2018.
Caótico e com os cofres no osso, o governo planeja enviar ao freezer os reajustes salariais que concedeu aos servidores públicos no ano passado. Dizia-se na época que os aumentos — coisa de R$ 58 bilhões até 2019 — já estavam computados na meta de déficit. A farra foi aprovada na Câmara numa madrugada de junho de 2016, sob aplausos de Temer. De uma tacada, passaram 14 projetos de lei. Continham bondades destinadas a 38 carreiras do Estado.
O então deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS), hoje prefeito de Porto Alegre, subiu à tribuna para pronunciar um discurso premonitório. Foi registrado aqui. Vale a pena recordar:
“Estamos estendendo gratificações de desempenho para servidores inativos”, disse Marchezan naquela madrugada. “Incorporamos aos quadros da Defensoria Pública servidores cedidos que vão entrar numa nova carreira, sem concurso, ganhando até 400% a mais. Isso é inconstitucional. Criamos mais de 11,5 mil empregos. E o presidente Michel Temer havia prometido fechar 4 mil cargos comissionados.”
O deputado acrescentou: “Dizem aqui que não posso ser mais realista que o rei. Se o governo encaminha tudo isso, devemos votar a favor. Quero lembrar que acabamos de depor uma rainha porque ela administrou as contas públicas contrariamente ao interesse popular. Tiramos na expectativa de que o novo governo administraria para o interesse popular. Espero que esse novo rei mude sua forma de reinar, para que ele não siga no mesmo caminho da rainha deposta. Espero também que as operações da Lava Jato anunciadas para os próximos dias não tenham nenhuma relação com esse açodamento de votar esse rombo de algumas centenas de bilhões de reais.”
Temer costuma dizer que se dará por satisfeito se chegar ao final do seu mandato como um presidente reformista. Não deseja senão entregar ao sucessor “um país nos trilhos”. Mas o autogrampo do delator Joesley Batista tornou impossível o que era difícil. Para salvar o mandato, Temer ampliou o balcão e entregou cargos, cofres e a alma ao centrão. Recolocou nos trilhos o grupo fantasmagórico idealizado pelo presidiário Eduardo Cunha.
Junto com a denúncia que o acusa de corrupção, Temer enterrou no plenário da Câmara o futuro do resto do seu governo, que será ruim enquanto dure. Tratada como a mãe de todas as reformas, a mexida na Previdência, tal qual o governo a concebera, foi para o beleléu. Médico e líder do PSD, o deputado Marcos Montes (MG), proferiu o diagnóstico: ''O governo saiu da UTI. Está no quarto. A data da votação [da emenda constitucional da Previdência] vai depender da recuperação do paciente. Pode ser no final do ano, pode ser em 2019'', no próximo governo.
Sem o ajuste na Previdência, Temer sucederá Dilma também no posto de presidente do rombo insanável. A hipótese de o governo entregar o que prometeu é nula. Acenara-se com um crescimento econômico de até 2% neste ano. Se chegar a 0,2% será um milagre.
O brasileiro percorre o trajeto do trem fantasma rezando para não dar de cara com um aumento de impostos. Nessa matéria, o governo desmente à noite o que admitira pela manhã. E a plateia não acredita nele durante todas as horas do dia.
Nesta quinta-feira, após discutir com ministros e congressistas a revisão para o alto da meta de rombo fiscal, a ser anunciada na semana que vem, Temer deixou no ar a hipótese de adotar “medidas rigorosas”. Emendou: ''[…] O governo não mente para o povo brasileiro. Muitas vezes toma medidas rigorosas, mas indispensáveis para a higidez das finanças públicas do nosso País.”
Que língua extraordinária é o Português! Higidez virou um outro vocábulo para esculhambação. Há no percurso do trem fantasma 14 milhões de desempregados. A saúde pública continua sendo uma calamidade. O ensino público, um acinte. O fisiologismo rir da Lava Jato. Mas o Brasil da fábula de Temer está “nos trilhos”.
Todo brasileiro tem o direito de reivindicar um gole do que Michel Temer anda bebendo. Tudo leva a crer que a água do Jaburu conduz ao delírio.

Mantido marketing-espetáculo, suor do contribuinte será injetado no lamaçal
Por Josias de Souza
Sexta-feira, 11/08/2017 00:20
O Congresso assa em fogo alto o que os parlamentares chamam de reforma política. Na verdade, trata-se de uma reforma eleitoral. O miolo da picanha é o Bolsa Eleição, um fundo criado para financiar com verba pública as campanhas políticas. Coisa de R$ 3,6 bilhões. O gasto é inevitável, pois o Supremo Tribunal Federal proibiu em boa hora as doações eleitorais de empresas. Mas há um problema: criado por um Congresso apodrecido, o novo fundo pode servir para sujar verba limpa.
No Brasil, a propaganda eleitoral na TV consome quase 50% da verba de uma campanha. Contratado a peso de ouro, o marketing-espetáculo não realça as qualidades do candidato, esconde os seus defeitos. Pior: forja qualidades inexistentes. O eleitor elege uma coisa e recebe outra. Como não pode devolver o produto, tem que aturá-lo por quatro anos, até a próxima eleição.
Na prática, o financiamento público já vigora no Brasil, por meio do horário eleitoral gratuito e do fundo partidário, que custam algo como R$ 1,8 bilhão. Outra parte passa por baixo da mesa. Os políticos retiram dos cofres públicos o grosso do dinheiro gasto na eleição, trocando apoio empresarial por contratos públicos. A Lava Jato escancarou essa prática. Como a pseudorreforma não inclui providências para baratear as campanhas, o Bolsa Eleição pode derramar a verba limpinha do contribuinte no mesmo caldeirão de lama que inclui o caixa dois.

Fachin manda ação contra Loures à 1ª Instância
Por Josias de Souza
Quinta-feira, 10/08/2017 16:25
O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, suspendeu nesta quinta-feira a tramitação da denúncia contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva. Fez isso porque a Câmara não autorizou a continuidade das investigações, que só poderão ser retomadas após o término do mandato presidencial. Simultaneamente, Fachin determinou que a parte do inquérito que envolve Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala, seja remetida à Justiça Federal de Brasília. Como não tem direito a foro privilegiado, o ex-assessor de Temer será julgado na Primeira Instância do Judiciário.
Fachin escreveu em seu despacho: “Diante da negativa de autorização por parte da Câmara dos Deputados para o prosseguimento do feito em relação ao presidente da República, o presente feito deverá permanecer suspenso enquanto durar o mandato presidencial”, anotou o ministro. Ele acrescentou: “Com base no artigo 80 do Código de Processo Penal, determino o desmembramento do feito em relação a Rodrigo Santos da Rocha Loures, contra quem deverá prosseguir o feito nas instâncias ordinárias, tendo em vista não ser detentor de prerrogativa de foro perante este Supremo Tribunal Federal.”
Loures estava enrolado no mesmo inquérito de Temer porque a Procuradoria-Geral da República acusou-o de servir de intermediário do presidente no recebimento de propina da JBS, do delator Joesley Batista. Ex-assessor de Temer, Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil em dinheiro vivo. A defesa pode recorrer contra a decisão de Fachin. Mas é improvável que o Supremo envie o inquérito contra Loures para o mesmo freezer onde ficará guardada a denúncia que envolve Temer.





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